Será que foi punição. Perseguição política dos adversários. Ou uma imposição da sua missão como evangelizador?
O Padre Nelson Magalhães dedica a sua vida religiosa aos pobres bragantinos. Trabalha com as pastorais. Pastoral Carcerária, Pastoral dos Pescadores, com os catadores de lixo, com os oleiros, com os pequenos agricultores. O Padre trabalha e trabalha duro para mudar a miserável realidade do povo de Bragança.
Além disso, o Padre Nelson é devoto de São Benedito e coordenador das festas do Santo Preto. Preside todos celebrações em homenagem ao Santo. Na parte profana, Padre Nelson não perde a dança no salão das marujas.
Todas estas atividades renderam ao Padre muita popularidade, principalmente porque sua personalidade popular contrasta com a austeridade e conservadorismo que sempre foi a característica da Diocese de Bragança.
A pressão das pessoas, cansadas com a pouca vergonha da classe política bragantina, acostumada a servir-se do povo e não servir ao povo, para que o Padre ingressasse na política não demorou muito. João Nelson acabou se filiando no PV, onde militou por algum tempo. Com a filiação partidária, a pressão sobre Nelson aumentou muito, até que o Padre resolveu se filiar, mas seu descanso demorou pouco e logo foi convidado a outra experiência partidária, desta vez no Partido dos Trabalhadores.
Nas eleições de 2008, João Nelson viveu um drama pra lá de difícil. Os eleitores de Bragança e a direção do PT pressionavam para que ele aceitasse uma candidatura a prefeito, do outro lado os colegas de ministério o desaconselhavam a seguir carreira política, dada a sua importância para os trabalhos pastorais da Diocese. Nelson cedeu as pressões e assumiu na última hora, a bem dizer no dia da convenção, a candidatura de prefeito. Para surpresa geral, sem dinheiro e sem estrutura, o Padre obteve 15.713 votos, ficando em segundo lugar no pleito de 2008.
Terminada as eleições, Nelson Magalhães voltou as suas atividades pastorais e a comandar o seu programa na rádio educadora. Porém nada mais em sua vida foi normal. Perseguições políticas, pressões sobre o clero, história inventadas para difamá-lo e até ameaça de tirá-lo da Rádio Educadora. Nelson aceitava os ataques humildemente e seguia trabalhando. Nas pesquisas informais ele sempre aparece como o preferido.
Agora a Cidade recebe a noticia da transferência do Padre João Nelson Magalhães para Irituia. As pessoas atribuem esta transferência as pressões de políticos e por mais que o Padre Nelson garanta que sua ida para outro município da Diocese seja uma rotina na Igreja e que ele deve cumprir sua missão, os eleitores bragantinos, conhecendo as maldades dos políticos locais, não acreditam e seguem protestando.


6 opniões:
Vai uma aulinha de português aí, Zé ?
Desculpe os transtorno.
é uma pena... Bragança só tem a perder com a saída do padre João Nelson. E a Diocese também perde, porque não conheço nenhum outro sacerdote por lá com o mesmo carisma do padre Nelson.
Engraçado, Zé, eu particularmente não conhecia essa história, por isso só enxergava a nossa realidade daqui de Irituia, onde o nosso ex-padre Carlos Afonso vinha incomodando constantemente as autoridades locais, simplesmente por reivindicar aqui que é de direito do povo, como a simples presença do gestor municipal na prefeitura, já que, pasmem, nem residir aqui ele reside (mora em Mãe do Rio), a tudo contando com a conivência de nossa Câmara, que faz vista grossa pra tudo que se refira ao Executivo. Portanto, enxergávamos o fato apenas a partir de nossa realidade local. Não sabíamos que estava acontecendo isso com o Pe. Nelson lá por Bragança. Só agora percebo que ao agir assim, nossa cândida diocese simplesmente une o útil ao agradável, tirando Pe. Afonso de Irituia pelo mesmo motivo que está tirando Pe. Nelson de Bragança: o incômodo a nossas intocáveis "autoridades". Jogada de mestre essa da Diocese.
mas qual é o sobrenome mesmo do bispo de Bragança??? Ferrando pra quem não sabe. Sim. Isto mesmo. O nome completo da "peça" é Luís Ferrando!!! Ele está, com atitudes como esta, nada mais, nada menos do que ferrando o povo que precisa de padres como João Nelson Magalhães e Afonso... é uma pena!!! Pobre dos pobres que vivem na Diocese de Bragança e que clamam por justiça social.
Meus caros, falo-lhes como católico que sou.
Muito embora eu não possa nem deva falar em nome da Igreja, dado que não tenho autoridade para isso, posso e devo repetir aquilo que ela ensina.
No dia em que fora ordenado, Pe. Nelson fez uma promessa de obediência a Igreja. Promessa esta que teve toda a comunidade católica como testemunha além do próprio Deus.
Ora, reza o Código de Direito Canônico que: "Os clérigos são proibidos de assumir cargos públicos, que implicam participação no exercício do poder civil". Destarte, os dois casos apresentados (do Pe. Afonso e do Pe. João Nelson) são totalmente diferentes. Um intervém na política sem se envolver com ela, enquanto o outro toma partido na mesma.
Por fim, Pe. Nelson comete outro erro perante a Igreja. A mesma sempre condenou o socialismo/comunismo proibindo a qualquer de seus filhos de ajudar de alguma forma a estas idéias:
"Tomai ademais sumo cuidado para que os filhos da Igreja Católica não dêem seu nome nem façam favor nenhum a essa detestável seita" (Papa Leão XIII, sobre o socialismo).
Sabemos que padre Nelson candidatou-se pelo PT que é um partido socialista.
Concluindo, para um católico há sempre dois pontos a se envolver: um espiritual e o outro humano (social, político, cultural,etc.). No entanto, há limites colocados e que devem ser obedecidos.
P.S.: Ninguém é obrigado a ser católico, mas quem pretende sê-lo deve comportar-se como tal.
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