O Pará diz não para a Vale do Rio Doce

domingo, 27 de novembro de 2011

O Pará deve encontrar um mecanismo legal para diminuir a produção de ferro e outros minérios explorados em Carajás para níveis compatíveis com o seu interesse, que são, com certeza, diferentes dos da Companhia Vale do Rio Doce. Parece absurdo a primeira vista, mas não é. Apenas estou defendendo o direito das futuras gerações de paraenses previsto no art. 225 da Constituição Federal e que vem sendo violado pela ganância desmedida daquela Empresa.

Diremos não a divisão do Pará, mas isto não quer dizer que estamos conformados com o destino do nosso Estado e com o abandono que sofrem os irmãos do Carajás e Tapajós e para mudar as realidades da nossa população precisamos que as nossas riquezas sirvam os nosso interesses.

A taxa por tonelada de minério extraído, que o Governador Jatene está propondo pode ser muito útil como mecanismo de controle da produção mineral diária dos empreendimentos da Companhia. Apoio essa ideia e presumo que esteja tecnicamente adequado a legislação, uma vez que teve a importante participação do Dr. Helenilson Pontes, cuja especialização na área é reconhecida nacionalmente. Eu mesmo testemunhei isto numa audiência que participamos no Ministério das Minas e Energia, quando o ministro Edison Lobão, fez este reconhecimento.

A mina de ferro de Carajás tem uma finitude, ela vai se esgotar. Em quantos anos terminará a estoque de ferro paraense? Esta é uma pergunta, cuja resposta está ficando cada vez mais incerta em razão do aumento nas quotas de exportação da empresa.

Quando os primeiros carregamentos de ferro desceram pelos trilhos em direção ao Porto de Itaqui, no vizinho Estado do Maranhão, falava-se em trezentos anos, mas a cada ano a Vale aumenta em muitas toneladas, a retirada diária de minério das minas de Carajás. A Vale se danou, por conta própria, a tirar tanto ferro, que o que estava previsto para durar três séculos, pode esgotar-se em menos de dois. Isto é bom para os balanços da Empresa e para os seus acionistas, mas não é bom para o povo do Pará.

O Pará não precisa desse desespero todo, principalmente porque a Lei Kandir nos é desfavorável. Se controlarmos a produção, mantendo-a em níveis mais baixo para que o estoque seja preservado, vamos resguardar os direitos das futuras gerações, aguardar novas tecnologias para verticalização e ainda ganhar um tempo precioso para tentar mudar a legislação tributária, que hoje nos é desfavorável. De que adiantará alterar o sistema tributário se não tivermos mais o minério para taxar?

A Vale sempre foi nossa adversária, mas sempre alcança seus objetivos, contrários aos nossos, por receber apoio de políticos imediatistas que olham apenas para o próximo pleito. A empresa é tão inimiga do futuro do Pará que até a siderúrgica conquistada no Governo Ana Júlia, agora sofre ameaças de não ser implementada.
A coluna Radar da Veja publicou uma nota sobre o título "Aço Distante"
"A siderúrgica que a Vale foi praticamente obrigada por Lula a erguer no Pará não conseguiu sequer completar a terraplanagem. Está emperrada com uma pendência judicial com o dono de um terreno vizinho."

Jatene conhece a Vale por dentro e pode mostrar sua força política - que não serve apenas para trazer um joguinho da Seleção Brasileira - abrindo uma pauta sobre o controle nos níveis de produção de ferro e outros minerais; exigir a imediata retomada das obras de implantação da usina siderúrgica em Marabá; aprovar a lei da taxa sobre o minério. Afinal, o Governador precisa mostrar que tem isenção e vontade política para esta briga e assim responder as críticas de Almir Gabriel sobre seu envolvimento suspeito com a Empresa Vale.

1 opniões:

Professor Eugenio Bartolomeu Costa Ferraz disse...

FALSO AMIGO DO BRASIL
Durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), o governo do Presidente Getúlio Vargas percebeu que o Brasil deveria criar uma infraestrutura industrial de base estratégica, a fim de se livrar de pressões internacionais. Em 1941 criou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, Estado do Rio de Janeiro, com a finalidade de fabricar o aço necessário ao desenvolvimento do país. A CSN entrou em funcionamento em 1946, já no governo do Marechal Dutra (que foi Ministro da Guerra de Getúlio Vargas). Em 1942 foi criada a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), inicialmente para explorar minérios de ferro em Minas Gerais e exportá-lo através do Porto de Tubarão, no Estado do Espírito Santo, a fim de ajudar os aliados no esforço de guerra. Depois a CVRD passou a fornecer minérios para a CSN. Anos depois a Companhia Vale do Rio Doce se expandiu além de Minas Gerais, principalmente nos estados do Espírito Santo, Bahia, Maranhão e Pará. Ela se tornou uma empresa estatal das maiores do mundo! No intuito de ter energia elétrica suficiente a fim de sustentar o bom funcionamento das siderúrgicas o governo também investiu no setor e criou várias usinas hidrelétricas no país, por exemplo, em 1954 foi inaugurada a de Paulo Afonso, no Rio São Francisco, Estado da Bahia e divisa com Alagoas.
Enfim, depois de muito sacrifício do povo brasileiro o país ficou numa posição bastante independente no setor do ferro e aço. Então passou a exportar o excedente e concorrer, especialmente, com os ingleses e os norte-americanos. Por isso os EUA, principalmente, passou a criar as famosas "barreiras alfandegárias" contra o ferro e o aço do Brasil durante vários anos. O governo brasileiro sempre protestou junto aos organismos internacionais e Estados Unidos da América. Mas os EUA só retirou as "barreiras alfandegárias" na época do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, porque havia acabado de "comprar" (através de "empresários") todas as principais empresas siderúrgicas e mineradoras do Brasil! Agora o Brasil passou de dono a empregado dos EUA! Essa é a dura e cruel realidade da nossa querida pátria brasileira!
PROFESSOR E ESCRITOR EUGENIO BARTOLOMEU COSTA FERRAZ
- Filiado ao Partido Verde de Castanhal, Pará -
Meu Blog: defesadavidahumana.blogspot.com
E-mail: ebcferraz@hotmail.com
Obs.: Este texto é parte do Capítulo 7, O "DIABO" ESTEVE NO BRASIL, do livro de minha autoria: CRESTOMATIA POÉTICA E LITERÁRIA (2008)

 

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