O PV está num debate interno importante

quarta-feira, 23 de março de 2011

O PV iniciou, meio atravessado, um debate sobre o seu futuro. Somos um partido grande e já temos disputas internas, por isso estou publicando o texto que traz a posição oficial sobre as diversas notas divulgadas na imprensa.


SOBRE PESADELO, BOIS E DEMOCRACIA

Amigas e amigos:

Tive muitas dúvidas de se deveria o não mandar este email. Depois de sucessivas crises de pressão alta conclui que preciso dizer o que penso para me manter sã!

Estou até agora tentando saber qual a peça que está faltando no quebra cabeças nacional. Que está faltando peça está! Não faz o menor sentido tanta confusão por causa de um prazo. O que a maioria de nós votou na tão falada reunião da Executiva Nacional foi simplesmente que teríamos até um ano para realizar um processo de atualizações programática e estatutária. Esse processo é desejado por todo o Partido e vem sendo discutido nos últimos anos. Desde 2008 vem sendo criadas várias comissões encabeçadas pela Fundação Verde Herbert Daniel, para preparar o projeto base para o seminário de atualização do programa. Nunca deram andamento. Há pelo menos dois anos Alfredo Sirkis e Marco Antonio Mróz presidem a FVHD, encarregada da formação política do PV, ora, agora falam de seminários como se não tivessem sido encarregados de promovê-los ao longo dos últimos anos! A atualização programática somente não foi votada na última convenção porque o texto base preparado para ser votado continha uma série de erros que ensejavam várias interpretações... Quem mesmo estava responsável pelo texto base??!!

Causa profunda estranheza a proposta de democratização a toque de caixa. Será uma proposta de democratização ou de adaptação as necessidades de alguns para atingir algum objetivo que não está claro?

É preciso esclarecer que o Estatuto vigente não proíbe a eleição das direções municipais e estaduais, apenas estabelece condições para que isso ocorra. A instância que obtiver 5% dos votos para deputado federal tem condições de realizar suas eleições diretas internas. São Paulo, por exemplo, atingiu esse percentual nas eleições de 2006 e também na de 2010. Por que será que o presidente democrático Maurício Brusadin não quis exercer a democracia que agora vocifera?

Na proposta “democrática” apresentada na última reunião apenas um tipo de filiado poderia votar. Chegou-se a falar que o filiado favelado por exemplo teria sua participação reduzida. Haveria escolha de quais filiados poderiam votar!! Quem escolheria? Só conseguiram explicar que haveria uma filtragem, alguns filiados mais intelectualizados poderiam votar outros não. Haveria filiados de primeira classe e de segunda classe. Bela noção de democracia!!! Parecem desconhecer inclusive a Constituição da República. Argumentam que não podemos cair no assembleísmo e essa proposta seria a solução.

Precisamos refletir: estamos querendo construir um partido de iguais, iluminados? Penso que é pior do que um partido de amigos ou inimigos...

È possível imaginar que um processo profundo de atualização nas estruturas partidárias ocorra em 4 meses???? Não. Quatro meses são suficientes apenas para adaptar a estrutura a determinado interesse, sem consulta as bases.

Um processo de reorganização sério e responsável pressupõe aprofundados debates que deveriam ser iniciados no âmbito municipal, para a seguir serem discutidos no âmbito estadual e por fim no nacional. Fazer o processo contrário resultaria no estabelecimento de conceito de democracia de alguns e não do todo partidário.

Colocam-se como se fossem os democratas e nós os autoritários fisiológicos!

Quem conhece o Partido Verde sabe que alguém dormiu autoritário, teve um pesadelo e acordou democrático!!! Viva o pesadelo!!!

A quem conhece o PV vou refrescar a memória, a quem não conhece vou contar uma historinha...

Em 1998, Penna foi eleito presidente nacional. Recebeu um partido com quatro deputados estaduais e um deputado federal. (lançamos no Brasil ao todo 180 candidatos a deputado estadual e 99 a deputado federal).

A presidência nacional anterior esteve no poder por 9 anos. Nesse período a executiva nacional reunia-se no máximo três vezes ao ano. Comandava-se o partido da Cidade do Rio de Janeiro de onde raramente deslocava-se. Decidia quem dirigiria o partido nos estados consultando apenas alguns membros da executiva nacional escolhidos por ele. Ele mesmo afirma no seu segundo texto, “dando nome aos bois” que sempre consultava um núcleo de dirigentes... Não consultava a Executiva Nacional.

Alfredo Sirkis preside o PV RJ desde 2004 até agora. Foi presidente também pelo menos entre 1987 e 1998. 18 anos!

As representações estaduais em sua maioria não tinham sede o Partido encontrava-se totalmente desestruturado.

Desde então, sob a presidência do Penna, o partido iniciou seu processo de organização interna. Passamos a viajar incansavelmente o Brasil buscando organizá-lo. Os cargos da executiva nacional pela primeira vez foram preenchidos por pessoas que de fato exerciam suas funções e não apenas ostentavam um título qualquer. O que chamam de “operativa”, dando sempre uma conotação pejorativa e jocosa é apenas o grupo de secretariado do Partido. Todos eleitos e cumprindo suas funções de organização, jurídico, finanças e comunicação. A estrutura foi descentralizada com as coordenações regionais que nesta gestão funcionam de verdade, como uma instância partidária e não apenas para acomodar pessoas nos cargos como antes.

Somente no ano passado realizamos 2 encontros por região sem que o que se intitula “verde histórico” como se mais ninguém o fosse, tenha se interessado a participar de nenhum deles. Inclusive os dois encontros da região a qual pertence o RJ, estado desde quase sempre presidido por ele.

Temos hoje um partido estruturado em todos os estados e com problemas claro! Partido perfeito que não tem nenhum problema existe??!!!

Colocam-se como se somente eles detectassem os problemas e estivessem cobrando da direção nacional uma solução. Mentira! Nossa direção nacional conhece os problemas que temos em vários estados e vem trabalhando para resolvê-los. Resolvê-los de verdade, com respeito pelas pessoas e com responsabilidade, e não fazendo intervenções e dando canetadas como era feito até 1999. Muito menos batendo na mesa e vociferando a dissolução de direções. Não é assim que se constrói partido democrático.

Seria cômico, se não fosse trágico, ouvir propostas de democracia de quem não está acostumado a exercê-la. De quem quer decidir as questões sempre em pequenos grupos para depois fazer o coletivo “entubar”. De quem em ano eleitoral e em nome do Partido, faz todo o material a ser distribuído aos candidatos a deputado estadual com a dobrada obrigatória para sua candidatura a deputado federal. De quem chama um presidente municipal e ameaça: ou divide a direção com quem ele está indicando ou perderá a direção municipal. De quem quer decidir coligações e participações em governo sozinho. De quem após ver os votos dos representantes do RJ numa reunião da Executiva Nacional numa quinta-feira diz: “agora sabemos quem vota conosco” e no dia seguinte, numa reunião da Executiva Estadual usa de subterfúgios para tentar afastar da direção estadual um dirigente que votou na proposta contraria a dele, aliás, vencedora.

Na Cidade do Rio de Janeiro, logo após as eleições de 2010, ainda em novembro, iniciamos as plenárias com a participação dos filiados ao PV e buscando atrair os voluntários do Gabeira e o Movimento Marina Silva. Fizemos a primeira plenária, dividimos os grupos por Áreas de Planejamento (APs). Fizemos reuniões com cada uma das APs e marcamos uma nova plenária. Não teve interesse em participar de nenhuma dessas reuniões. A próxima plenária está marcada para dia 26/03. Novamente já disse que não participará. Não dá para entender esse discurso saindo da boca de quem prega a democracia. Vai ver que é porque o resultado não está combinado...

O Partido Verde realizará este processo sim, de maneira séria, responsável e organizada, não porque alguém quer e sim porque todos queremos. Todos que quiserem participar serão bem vindos, todos poderão contribuir. Estamos trabalhando na criação de um calendário que será divulgado ao todos. Todos poderão opinar e não se preocupem, não vamos desqualificar quem não concorda conosco! Também não vamos ficar “jogando prá galera” com falsos discursos democráticos. Também não iremos aos jornais a cada vez que formos contrariados.

A convenção nacional desejada por todos nós seria realizada assim que encerrado o processo aprofundado, tranqüilo, fraternal e alegre de discussão. Temos até um ano para realizar o processo. Podemos terminar em 6, 8 ou 12 meses mas o faremos de forma participativa e sem atropelos dos que querem combinar o resultado do processo. Isso mesmo!!! Chega de hipocrisia! Digam logo o que querem e parem de se travestir de democráticos pois a imagem não dá liga na pessoa!!!

Encerro com a Carta Verde da Terra, de autoria dos Verdes de todo o mundo e não de uma pessoa somente.

OS VERDES Apoiarão todos os seus membros pessoalmente e politicamente com amizade, otimismo e bom humor sem esquecer de se divertirem durante o processo!



Carla Piranda
secretária nacional de Organização do Partido Verde
vice Presidente do PV RJ
fundadora do PV
cpiranda@gmail.com"


6 opniões:

Anônimo disse...

Zé sou defensor que o PV assuma o IBAMA de Belém. inclusive o seu nome é o mais aceito, mas com essa
decisão do PV de ser contra Belo MOnte, fica dificil,concorda? O Brasil não pode parar, para isso precisa de energia elétrica, vcs. sendo contra Belo Monte, qual o fonte de energia viável e suficiante para garantir o desenvolvimento? Será essa mesma de Fukushima?

Edmir Amanajás Celestino disse...

Não sei quanto ao anôniumo ai, estou no PV há pouco tempo, sou da Juventude, mas sou bem realista ao imaginar o futuro e sei da necessidade de Belo Monte, MAS, cumprindo todas as condicionantes e indo adiante no discurso, fazendo com que o recolhimento do ICMS relativo ao uso desta energia FIQUE na fonte, é legal falar em DESENVOLVIMENTO quando se é um dos poucos a lucrar com o EMPREENDIMENTO, Belo Monte pode vir sim, mas trazendo lucro real para o Estado do Pará e não apenas as mazelas sociais decorrentes de sua construção, até isso ser alcançado, temos todas as nossas razões para sermos contra, usar a MÁQUINA pública para pressionar a favor de Belo Monte só mostra o quanto estamos bem onde estamos, no IBAMA funcionários concursados choram pelos cantos pois sabem que são obrigados a assinar um verdadeiro desastre ambiental caso Belo Monte seja construída as pressas, um desastre bem pior que o da construção da Usina de Jirau. Fukushima é um extremo que pode sim ser colocado em paralelo com a construção de Belo Monte, o que o nosso amigo anônimo não sabe é que além de energia nuclear e energia hidroelétrica, existem muitas outras formas de se gerar energia melhores ou piores para a natureza e para a população, que não são colocadas em foco devido a falta de visão e interesse daqueles que lucram com o EMPREENDIMENTO, enquanto o povo em geral é mantido a parte de um aprofundamento no pensamento de geração de energia em prol da qualidade de vida.

Edmir Amanajás Celestino
Presidente interino da Juventude do PV Belém

Anônimo disse...

Nobre Edmir, muito me honra receber as suas criticas, talvez tenha sido esse mesmo o interesse, suscitar o debete fraterno e construtivo. Passamos a nos manifestar sobre as vossas afirmativas, nos termos seguintes:a) Não há de minha parte, memhuma divergência contra o cumprimento das condicionantes;b) Não sou daqueles que fala em desenvolvimento que lucro com o empreendimento;c) Ninguém é obrigadoa fazer nada senão po força de lei, por isso não se justifica o "choro de funcionário pelos cantos" ninguém é obrigado a assinar desastre ambiental;d)Sei meu caro Edmir que existem outros modos de produção de energia, por exemplo e eólica a solar, mas no meu comentario falo em energia suficiente e viável, me parece que estudos apontam as duas com grande dificuldade para produção lerga escala na região, a primeira pela direção dos ventos e segunda pelo alto custo e alta umidade da região. Finalizando, concordo com o cumprimento de todas exigencias mais isso não é suficiente para ser contra, insisto, sem Belo Monte, qual a energia suficiente e viável para garantir o crescimento do Brasil. Ps. Quanto a cobrança de imposto pelo Pasrá vc tem um aliado.
Saudsações.

Acauã Rodrigues disse...

PV, bois, história e democracia

Claudio Di Mauro
Prefeito de Rio Claro-SP pelo PV
por duas gestões e ex-candidato
do PV a Governador de São Paulo

Peço desculpas e licença para emitir minha opinião... mas... a questão não é de nomes e de pessoas.
A questão é mais profunda.

Infelizmente o próprio Sirkis esteve mancomunado com Penna durante todos estes anos. apoiados por Carla e pela Operativa.

Um tentava encobrir o outro e todos se encobrindo mutuamente. Formaram durante anos de uma "sociedade fechada e de auto proteção.", inclusive com verbas partidárias.

É fato que o Sirkis tem muito mais conteúdo e faz parte da história desde as origens do PV. Diferente do Penna que é quase exclusivamente despreparado e aproveitador.

Mas, o Sirkis usou do Penna para encaminhar seus projetos. Um usava o outro de maneira consentida.

Sirkis, além de debater a situação do Penna... Que não é só o Penna... deveria fazer "mea culpa". Não venha com esse discurso de bom mocismo!!!

Ou vai querer que todos pensem que ele é o santinho desse enterro ? E a Carla é a madona nessa berlinda ? Agora contra seu criador Sirkis, em favor dos interesses momentâneos, via Penna ?

Nós que tentamos discutir esses mesmos temas, na chamada "convenção" em Brasília fomos "decapitados", sob a liderança de Penna, Sirkis, Operativa com os "delegados fabricados, adocicados" presentes na "convenção".

O que Penna está fazendo neste momento, naquele momento anterior teve o apoio e o respaldo de Sirkis e da Carla!!

Esse PV que faz "acertos" inconfessáveis, como naquela "convenção" em que um encobria o outro... é ele que vai prevalecer ?
Onde está o novo projeto ? Qual é ? Claro, na situação atual, talvez nem seja necessário explicitar.

Penna faz isso de maneira explicita. Penna já sabemos como age, Sirkis, conforme Carla e sua experiência no Rio de Janeiro não faz melhor. É uma corriola de mesma formação nas práticas políticas.

Aqueles e aquelas que construíram esse estado de coisas, mantiveram o Penna na Presidência para garantir seus interesses. Imaginaram que poderiam conduzir o Penna. Agora, Penna triunfou na reunião da semana passada em Brasília. A máquina agora está em suas mãos, contra os que o apoiaram e empoderaram na "convenção" de Brasília em 2007.

Estão experimentando do "veneno" na cobra que criaram.

Quem é santinho agora ?

A questão é de pessoas ?

O problema me parece muito mais agudo.


Cláudio Di Mauro

NADSON OLIVEIRA disse...

Já me toquei: Vocês estão preocupados com ICMS! Entendi: se o ICMS ficar aqui e gerar riquezas para o povo do Rio Xingu e resto do Pará, o projeto é viável, caso contrário, é altamente impactante.....rsrsrsrs
Infelizmente, a defesa de um povo e de s riquezas naturais não podem e nem deve depender de apenas um partido político. Sendo que este partido está cheios de filiados que ja passaram por ou partidos. Esse é o Brasil que todos conhecem! Muitas das ONGs começaram assim, depois que viram muito R$ rolando pelo meio, boa parte mudaram seus rumos e ideologias!!! Estou errado?
CUIDADO COM OS INTERESSES PESSOAIS E PARTIDÁRIOS DE VCS! APESAR DE MUITOS ERROS, O POVO JA SABE VOTAR!

Edmir Amanajás Celestino disse...

Bom independente da identidade do anônimo ou da afirmação que o povo sabe votar do Nadson, hoje em dia temos um cenário onde as pessoas não podem mias serem consideradas "alienadas" a internet levou esse termo a extinção, o que existe hoje é realmente um descrédito e uma falta de iteresse, afirmo isso pois antes de perceber que a mudança é necessaria a partir do monvimento partidário, eu mesmo fui um dos defensores do apartidarismo e das realizações do voluntariado e do terceiro setor, entrei o PV por acreditar e simpatizar com seus princípios ideológicos, independente do que possa se passar na política interna do mesmo, poderia estar no PSOL, partido que tenho muito apreço, mas optei pelo programa do PV, e sei lidar com algo que não se comenta dentro dos partidos, a tal da apatia e do descrédito partidário, a Marina sabe lidar com isso muito bem, a exemplo do movimento de milhões que conseguiu criar fora do PV, a grande questão é: como lidar cons os outros milhões que após a estreia "programada" do filme tropa de elite 2 para depois do primeiro turno das eleições 2010, demonstraram sua desalienação e insatizfação quanto a corrupção que rola ate entre os circulos mais "santos" da política nacional, através da abstenção do processo partidário? tivemos recorde "não disseminado pela mídia" de evasão eleitoral no segundo turno e isso esta disponível pra qualquer um que fuçar o site do STE, eu fazia parte dessa massa que convencia as pessoas a votar NULO, sei lidar com esse posicionamento e digo que muita gente supostamente "alienada" sabe muito bem que a arrecadação de ICMS de Belo Monte é sim um fator que contribuiria ou não para sua aceitação. Isso não é um fator politicamente utilizável seja contra ou a favor, pois enquanto quem defende a Belo Monte da receita de Bolo Antiga, vai defender a criação de postos "temporários" de trabalho e a capacitação de RH e outros tantos benefícios "caso" as condicionantes sejam cumpridas, e os que são contra estaram levantando a bandeira de diversos seguimentos das populações tradicionais e da sustentabilidade, os desalienados desalinhados (que não comentam nos blogs, que não discutem nas redes sociais e que nem imagiam o que se passafora delas), estarão sim muito mais interados em saber como um empreendimento dessas proporções vai ser benéfico para eles como povo, e todos sabem do seu papel, essa galera por incrível que pareça sabe mais cadastro que se possa imgfinar

 

Posts Comments

©2006-2010 ·TNB