Hidrelétrica de Belo Monte para quem?

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Hoje à noite, no auditório Ismael Nery do Centur, será realizada mais uma das audiências públicas para construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu.

Os comerciantes da região estão empolgados com a possibilidade de mais vagas nos hotéis, mais compras no comércio local, uma explosão econômica durante a construção.

Os ambientalistas ainda não estão convencidos das soluções técnicas apresentadas. A preocupação é com o futuro das populações nativas, índios, ribeirinhos, agricultores familiares e da fauna e flora, que serão massacrados com as obras.

Se a obra for aprovada, no primeiro momento, teremos uma contratação enorme de operários para as obras de construção civil, depois, alguns deste operários voltarão para seus estados de origem, mais a maioria ficará para sempre, integrado a vida regional, como? não sei e sem o projeto prevê este impacto. Ao contrário, o grupo de pessoas que moverá a usina será tão irrisório que mal dará para encher o Palace Hotel de Altamira. São técnicos de alta complexidade, todos com cursos feitos na empresa que vai vender as turbinas, está sim, animada com o negócio milionário. Não se espante com a vinda do Senhor Sarkozy, sem a sua bela esposa Carla Bruni, aqui na Amazônia, para fazer propaganda da Alston, a possível fornecedora das máquinas.

Uma hidrelétrica é composta de grandes obras de concretos, quase inertes, que são feitas para barrar o rio e aumentar sua potencia hidráulica, mas o principal são as turbinas, as máquinas que transformam a força mecânica em energia, além disso, temos equipamentos eletrônicos e elétricos de alta precisão, além de software para comandar as operações. O resto é maquiagem para torna-la bonita e apresentável, quem não gosta de passar em uma barragem e olhar o vertedouro aberto? É lindo, não?

O Rio Xingu sofrerá modificações, isto é certo. Não sei quanto tempo as populações residentes levarão para se adaptar. O entorno será modificado com tanta gente atraída para a Região. isto significa mais casas, mais demandas por serviço público; mais lixo, mais postos de saúde, mais escolas, mais ruas abertas. As prefeituras só receberão recursos diretos da Usina, depois desta entrar em operação, são os royalties. E durante a construção quem pagará as contas da explosão urbana?

A energia que dele será extraída servirá para abastecer outras regiões, sendo assim, o imposto gerado pela energia, será cobrado na conta de luz do consumidor final, ou seja, nas outras regiões e não aqui em Brasil Novo, Altamira e Vitória do Xingu.

Não se trata de defender as borboletinhas ou a volta grande do Xingu pura e simplesmente, trata-se de pensar que o Norte não é com “M”.

2 opniões:

Anônimo disse...

Você escreveu: "a energia que será extraída servirá para abastecer outras regiões, sendo assim, o imposto gerado pela energia, será cobrado na conta de luz do consumidor final, ou seja, nas outras regiões e não aqui em Brasil Novo, Altamira e Vitória do Xingu". Não somos um país, Zé Carlos? Não somos uma nação? Esse raciocínio de que a energia gerada aqui deveria ser consumida aqui é um raciocínio tão mesquinho e apequenado que, quero crer, você o expressou por reflexo, não por reflexão. O fundamental é que gerar energia com hidrelétricas é a forma mais limpa de gerar energia em grandes proporções, como o Brasil desenvolvido precisa. Para que o país cresça e essa riqueza gerada seja melhor distribuída precisamos de energia elétrica. Se ela não puder ser gerada por hidrelétricas, será gerada por termoelétricas, altamente poluentes, mas será gerada, porque senão condenaremos o país a um futuro de periferia. As borboletinhas, os peixinhos, os indiozinhos, são todos muito importantes. Tão importantes quanto os demais brasileiros, que querem desenvolvimento para poder ter futuro. Seu raciocínio pequeno apequena a questão. É o mal dos verdes. Torço para que amadureçam.

José Carlos Lima disse...

A sua reação ao meu post é que foi por reflexo. Em lugar lugar eu disse que a energia gerada aqui deveria ser consumida aqui. O que eu disse é que o potencial hidrelétrica é da amazônia vai gerar energia limpa para desenvolver outras regiões a um custo ambiental e social alto. Feito esta constatação, devemos, pois, buscar compensar a região de maneira que possa propiciar as pessoas e aos governantes locais condições de resolver os problemas básicos, ao mesmo tempo dispor de capacidade de investimento que supere a atual condição de fornecedor de materia prima bruta.
Agora esse sua cabeça desenvolvimentista e preconceituosa, que menospreza a biodiversidade e as populações tradicionais, denominando-as de borboletinhas, indiozinhos, lhe impede de pensar modernamente. Nós os verdizinhos defendemos a sustentabilidade ou o desenvolvimento inteligente.

 

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