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Faleceu o professor e ambientalista Aziz Ab'Saber

Francisco Emolo/Jornal da USP

Faleceu, aos 87 anos, nesta sexta-feira (16), o geógrafo, presidente de honra e conselheiro da SBPC, o professor Aziz Ab'Saber.

"Ab´Saber defendia causas ambientalistas e era um dos críticos do texto do novo Código Florestal, em atual discussão no Congresso. Ele dizia que o texto não considerava as diferenças físicas e ecológicas nas diversas regiões brasileiras." Noticiou o site Exame Info.

Eu tive a honra de conhecer o professor Aziz na "Caravanas das Águas" organizado por Lula para percorrer a Amazônia na década de noventa. A expedição constituída de lideres políticos e cientistas saiu de Manaus em direção a Belém, parando nas diversas cidades as margens dos grandes rios. Em cada parada, conversávamos com os lideres locais, ouvindo seus problemas e suas propostas.

Uma lição guardei desta viagem. Um certa tarde, quando o nosso barco singrava o Rio Amazonas, no território do município de Monte Alegre, partilhei de um longo e agradável papo com o Professor A'Saber. Ele mais falava e eu apenas me admirava com tamanho conhecimento, vez por outra cortado por uma boba indagação, apenas para reforça aquilo que estava sendo falado.

O professor Aziz, com seu saber magistral, descrevia a formação geológica das terras de Monte Alegre, que ensinamentos! Minha primeira aula de ecologia. Em dado momento o Mestre virou-se para mim e disse:

- Se Lula chegar a presidência da República precisará fazer um forte programa de esporte para essa juventude amazônica.

- Por que professor, indaguei?

Ele prontamente respondeu:

- Será uma forma de controlar a violência e a gravidez precoce, pois o povo aqui tem muita energia acumulada que recebe diretamente do sol por estar na faixa do Equador, aqui o sol incide a noventa graus.

O mestre morreu hoje, Lula foi presidente e deixou de ouvi-lo, mas a lição ainda ecoa nos meus ouvidos cada vez que tomo conhecimento das estatísticas envolvendo os jovens amazônicos.

Creio que Aziz Ab'Saber de onde estiver ficará feliz se a presidenta Dilma e o Governador Simão Jatene, juntos ou separado, atenderem o seu conselho e lançarem programas de esporte e cultura para jovens, alcançando principalmente as regiões metropolitanas.

Mestre, vá com Deus e está dado o seu recado novamente.

Pacto do TCE com AL é o responsável pelos desvios de recursos

Os deputados e conselheiros fizeram um pacto de não investigação e deu no que está dando. Novas denúncias atingem outros deputados no monumental desvio de dinheiro público na Assembléia Legislativa, justamente o Poder instituído, para, em nome do povo, fiscalizar a aplicação do dinheiro arrecadado com a enorme carga tributária imposta, injustamente, ao povo paraense. Desta feita envolve um deputado pastor de uma igreja evangélica, Pastor Divino. O deputado abastecia carros e fazia turismo nos Lençóis Maranhenses as nossas custas, descobriu o MPE.

A culpa de todo estes desvios na Assembléia são dos autores das fraudes, mas também do Tribunal de Contas do Estado que aceitou celebrar um pacto criminoso de não investigação com a AL. Vou contar aqui como tudo aconteceu.

Quando eu estava deputado estadual, eleito pelo PT numa aliança com o PV, tendo recebido a maior votação de todos os deputados da minha coligação, fui escolhido para integrar a Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, comissão responsável por analisar as contas dos outros poderes.

Eu era da bancada de oposição e quem já foi parlamentar sabe que os deputados governistas impedem que os oposicionistas tenham acesso para relatar matérias importantes, foi por isto que estranhei o fato de ter sido indicado para relatar as contas anuais do Tribunal de Contas do Estado, mas na época não fui atras de explicação para este fato, apenas resolvi fazer com competência aquilo que era o meu dever.

Recebi o processo, levei para o gabinete, convoquei meus assessores e passamos a analisar os documentos. Logo descobrimos uma série de irregularidades, desde superfaturamento em compras até superaumentos para supersalários, sem que houvesse lei que autorizasse.

Diante das provas evidentes, mas tendo o cuidado para não cometer injustiças, criei uma comissão de técnicos formadas por excelentes funcionários de carreira da Casa (estes funcionários são subaproveitados por não se submeterem aos caprichos e as irregularidades de alguns deputados) para fazer uma vistoria in loco nos documentos referentes as contas em analise.

A comissão trabalhou livremente e foi até o TCE examinar as documentações, quando retornou, fez um relatório técnico que me foi encaminhado. Os técnicos da Assembléia Legislativas encontram mais irregularidades ainda. Diante de tantas evidências de fraudes, conclui pela reprovação das contas e encaminhei ao Plenário. Foi um deus nos acuda, era a primeira vez que a Assembléia fazia seu trabalho e também era a primeira vez no Brasil que as contas de um tribunal de contas estava sendo questionada.

O processo foi para mesa Diretora que o pautou em sessão ordinária segundo o regimento interno da Casa. No dia da sessão o plenário estava tenso. Eu já estava preparado para uma possível derrota do meu parecer, mesmo com todas as evidências ali anotadas.

Quando o secretário da mesa diretora dos trabalhos, deputado Zeno Veloso, começou a leitura, fez-se um silêncio sepulcral e a cada desvio relatado, aumentava a tensão e o espanto do Secretário da Mesa.

Terminada a leitura, o relatório foi posto em votação e as contas rejeitadas por unanimidade. Trinta dias depois da rejeição das contas do TCE, para o espanto da bancada do PT, o deputado Haroldo Tavares apresentou um pequeno requerimento, sem qualquer justificativa, recorrendo da decisão. O requerimento ilegal, imoral e anti-regimental foi aprovado por unanimidade, anulando, inexplicavelmente, a votação e aprovando as contas ilegais. Na marra mesmo.

Passado anos deste fato, fato que nunca saiu da minha cabeça e sempre me incomodou muito, acabei descobrindo toda a bandalheira.

Na época o TCE fazia uma avaliação nas contas dos deputados e já havia descoberto muitas irregularidades, principalmente quanto as prestações de contas das verbas indenizatórias de cada parlamentar, apenas a bancada do PT não tinha problemas com suas contas. Os deputados envolvidos se reuniram e resolveram dar o troco entregando as contas do TCE para um deputado que sabiam ia fazer o que eu acabei fazendo.

Após a rejeição das contas do TCE, os deputados envolvidos em fraudes passaram a negociar uma saída e a saída encontrada foi um pacto de não investigação. Desta época em diante, nem o TCE investiga a Assembléia Legislativa e nem a Assembléia Legislativa investiga o TCE. Foi este pacto medíocre e criminoso que permitiu os desvios que hoje estamos assistindo entristecidos. O MPE, depois de fazer a faxina no Poder Legislativo, deve virar suas baterias para o TCE, sem medo de retaliação.

Jatene é republicano, no discurso.

A Assembléia Legislativa, por unanimidade, aprovou a Lei que instituiu a taxa sobre o minério. Votaram os deputados governistas e os deputados de oposição, incluindo a bancada do Partido dos Trabalhadores.

Jatene comemorou o fato no programa diário de rádio, tipo Hélio Gueiros, só que intelectualizado, ressaltando e festejando justamente a postura da oposição que aprovou e até contribuiu para aperfeiçoar a lei governista, dizendo que entende a oposição ao governo, mas não entenderia a oposição ao Estado. E voltou com a estória de que o Estado está acima dos partidos políticos. Dizer é fácil, fazer é que são elas.

Dou parabéns e me congratulo com os deputados de oposição e mesmo aqueles que não são oposição e nem estão na base governista, pois demonstraram um verdadeiro compromisso com o Pará ao aprovar por unanimidade uma lei vinda do governo, que vai permitir que o Jatene e seu aliado tenham mais dinheiro, que façam obras, pois tudo isto é bom para o povo paraense.

Podiam ter votado contra apenas para impedir que Jatene recebesse uma bolada de mais de oitocentos milhões e com dinheiro em caixa poder limpar sua barra com Marabá, Santarém e Belém, cumprindo pelo menos a mínima agenda mínima que até agora não saiu do papel. Mas os deputados dos partidos que não estão na base do governo foram republicanos e enxergaram os interesses do povo do Pará. Que tapa de luva!

Para Jatene e o PSDB fica a lição, quando voltarem um dia a ser oposição novamente aprendam a ver os interesses do Estado acima dos interesses partidários, pois não foi o que vocês fizeram recentemente, quando, por diversas vezes, como no caso dos empréstimos, prejudicaram o Pará apenas para fazer oposição ao governo. Falar é sempre mais fácil...

PT e PMDB estão em crise

O casamento entre o PT e o PMDB continua abalado. São vários os fatores. Começou com os desentendimentos na Secretária de Saúde, envolvendo Priante e seu apadrinhado Almélio e os Hospitais Regionais. Depois foi a crise nas alianças e apoios eleitoras nas eleições municipais, o PT disputou muitos municípios contra o PMDB e vice versa. Mas o ápice da disputa transportou-se para eleição da mesa e das comissões na Assembléia Legislativa onde o PMDB vem preferindo outros partidos, principalmente o PSDB, deixando o PT enciumado, e muitas vezes em situação desfavorável. O que o PT não adimite, e nisso tem razão, é que o PMDB tem 30% do governo, a Assembléia Legislativa, mas quer continuar independente.
 

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